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Terminal Rodoviário Lumina

Projeto de Arquitetura 6 (PA6)
10 de julho de 2026 por
Rhayllon Mattos

Tema: Terminal Rodoviário

Disciplina: Projeto de Arquitetura 6 (PA6)

Local: Barra do Bugres – MT


Sobre o projeto

O Terminal Rodoviário Lumina é um anteprojeto de terminal de passageiros para Barra do Bugres – MT, desenvolvido na disciplina de Projeto de Arquitetura 6. O trabalho parte da infraestrutura básica de embarque e desembarque, mas busca também construir uma identidade arquitetônica própria e responder às condições climáticas da região, seguindo as diretrizes do Manual DNER.

Rodoviária Lumina - preview animado

Localização e contexto

O terminal está projetado para o bairro Vila Operária, em Barra do Bugres – MT, num terreno de quase 7.000 m² delimitado pelas ruas Tabatinga, Avenida do Planalto e Rua Primeiro de Maio. O terreno fica numa área de transição entre o centro urbano e as principais vias de acesso regional, o que facilita a chegada tanto de moradores quanto de quem vem de outras cidades. Pedestres, ciclistas, motoristas e passageiros de ônibus chegam ao terminal por acessos independentes, sem cruzar fluxos entre si e sem gerar congestionamento na entrada.

Conceito

O nome Lumina vem do latim e significa luz, a ideia central do projeto. A cobertura é desenhada para deixar entrar luz natural, os espaços são abertos e o terminal busca fugir do que normalmente se espera de uma rodoviária: ambientes fechados, quentes e pouco convidativos.

Outro ponto de partida foi tratar o edifício como um espaço único, mesmo tendo setores e funções bem definidas. As divisões entre os ambientes existem, mas as visuais se abrem de um para o outro: de dentro do restaurante dá para ver os ônibus chegando nas plataformas, e do saguão de espera dá para sentir o movimento do terminal ao redor. Essa continuidade faz o edifício parecer maior do que é e torna a espera menos parada.


Partido arquitetônico

O edifício tem formato em "U", com um pátio central aberto. Essa forma resolve um dos principais desafios de um terminal: separar o fluxo de passageiros do fluxo de ônibus. Os veículos circulam pelo lado direito do conjunto, enquanto os passageiros transitam pelos blocos cobertos e pelo pátio, sem precisar cruzar a área de manobra dos ônibus.

O pátio central organiza todo o projeto, é para ele que se abrem a área de alimentação, o saguão de espera, os comércios e os acessos às plataformas. Com arborização e iluminação natural, o pátio ajuda a regular o ambiente interno, trazendo sombra e ventilação para o restante do terminal.

A cobertura, formada por planos inclinados que convergem para o centro do conjunto, é o elemento que dá identidade ao Lumina. A volumetria remete à estética retrofuturista dos anos 60, com formas mais ousadas do que o convencional em terminais rodoviários. De fora, ela torna o terminal reconhecível na paisagem de Barra do Bugres; de dentro, cria jogos de luz e sombra que mudam ao longo do dia.

Programa de necessidades

Área construída de aproximadamente 970 m², em pavimento único.

Setor público

  • Foyer
  • Saguão de espera
  • Guichês (3 módulos)
  • Sanitários masculino, feminino e acessível, com fraldário integrado
  • Praça de alimentação
  • Restaurantes (2 unidades)
  • Lojas de conveniência (2 unidades)
  • Guarda-volumes
  • Achados e perdidos
  • Bebedouros

Setor operacional

  • Plataformas de embarque (3 baias)
  • Plataforma de desembarque (1 baia)
  • Circulação e saguão de espera nas plataformas
  • Segurança pública
  • Encomendas

Setor restrito

  • Administração
  • Copa
  • Sala de reunião
  • Manutenção
  • Sanitários de funcionários
  • Vestiários

Área externa

  • Estacionamento (6 vagas + 1 PCD)
  • Ponto de táxi
  • Bicicletário (5 vagas)
  • Estacionamento de motos
  • Reservatório externo (15.000 L)
  • Casa de bombas
  • Bosque e paisagismo


Materiais e sistemas construtivos

A escolha dos materiais levou em conta três critérios: durabilidade, baixo custo de manutenção e resposta ao clima quente de Barra do Bugres.

A estrutura é em concreto armado, sistema resistente e durável, executável com a mão de obra disponível na região, o que reduz custo e facilita manutenções futuras. As fundações seguem o mesmo sistema, com sapatas isoladas adaptadas ao perfil do solo local.

As paredes são em alvenaria de blocos cerâmicos. Nas fachadas laterais, em pontos estratégicos, brises solares de concreto substituem parte da vedação e funcionam como filtros de ventilação e sombreamento, permitindo que o ar circule pelas áreas abertas sem depender de equipamentos mecânicos.

A cobertura é o elemento construtivo mais complexo do projeto: estrutura metálica em aço, com telhas termoacústicas Topsteel, núcleo de poliuretano de 75 mm de espessura. Esse sistema isola o calor do sol durante o dia e abafa o barulho da chuva, dois problemas recorrentes em coberturas metálicas no clima de Barra do Bugres. Os planos inclinados convergentes também resolvem a drenagem das águas pluviais, direcionando a chuva para calhas nas bordas da cobertura.

As esquadrias são em alumínio anodizado com vidro laminado temperado. Nas fachadas com maior exposição solar, réguas verticais em alumínio bloqueiam a incidência direta do sol sem fechar o ambiente para a luz natural.

O piso das áreas de maior circulação é em concreto polido; nos banheiros e na cozinha, cerâmica antiderrapante. O forro em gesso acartonado percorre todo o interior, mas com um desenho próprio para cada setor, recortes, ressaltos e iluminação embutida que mudam a atmosfera de um ambiente para o outro. Além da estética, a câmara de ar entre o forro e a laje da cobertura funciona como barreira térmica extra, reduzindo em até 4°C a temperatura interna.

Na fachada principal, painéis amadeirados marcam a entrada e trazem um contraste mais quente ao concreto e ao metal do restante do edifício. As demais fachadas recebem pintura acrílica em tons terrosos, escolhida pela durabilidade em clima úmido e pela referência às cores do cerrado mato-grossense.

Classificação normativa

Barra do Bugres tem um dos climas mais exigentes do Mato Grosso para a arquitetura: cerca de 3.400 horas de sol por ano, temperaturas que passam dos 35°C no verão e um período de chuvas intensas entre novembro e março. Nesse contexto, o edifício precisa contribuir para o conforto das pessoas além do que o ar-condicionado consegue resolver sozinho.

Por isso o Lumina foi pensado com o clima em mente desde o início. A abertura do "U" foi orientada para captar os ventos predominantes da região, criando ventilação cruzada ao longo de todo o terminal. O pátio central arborizado ajuda a regular o microclima interno, as árvores fazem sombra, absorvem calor e deixam o centro do edifício mais fresco. As telhas Topsteel reduzem o calor que entra pela cobertura, e o forro em gesso soma mais uma camada de proteção térmica. As réguas verticais nas esquadrias controlam a entrada de sol direto nas fachadas mais expostas. O resultado é um terminal mais fresco e mais silencioso, com menos dependência de climatização artificial, e, consequentemente, menor custo de operação.


Plataformas de ônibus

  • 3 baias
  • Acostamento diagonal a 45°
  • Largura por baia: 3,50 m / Comprimento: 13,00 m
  • Separação entre baias: 1,20 m
  • Área de manobra frontal: 17,50 m de profundidade
  • Pista de circulação interna: 7,00 m de largura
  • Altura mínima da cobertura das plataformas: 5,80 m

Acessibilidade

A acessibilidade está presente em cada decisão de espaço e circulação, do estacionamento até as plataformas, para que qualquer pessoa consiga percorrer o terminal com independência.

Os corredores internos têm largura mínima de 2,50 m, suficiente para cadeiras de rodas e carrinhos mesmo nos horários de maior movimento. Ao longo do percurso público, piso tátil de alerta e direcional guia pessoas com deficiência visual até seus destinos. Nos banheiros dos dois blocos há cabine acessível dimensionada para manobra de cadeira de rodas, e o banheiro feminino conta ainda com fraldário integrado.

A vaga de estacionamento para PCD fica no ponto mais próximo da entrada principal, com 3,50 m de largura para facilitar a transferência. Nos guichês, pelo menos um módulo tem balcão rebaixado para atendimento de cadeirantes. As soluções seguem a NBR 9050:2020, norma brasileira de acessibilidade universal.


ZYX 360°

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Galeria

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