Tema: Residência de passagem para professores e educadores - Casa Educare
Disciplina: Técnicas Alternativas na Construção Civil (TACC)
Local: Barra do Bugres
Sobre o projeto
A Casa Educare é uma proposta de residência de passagem para professores e educadores da UNEMAT-MT, desenvolvida como estudo de técnicas alternativas na construção civil. A ideia foi testar, material por material, até onde uma casa rústica, leve e funcional pode ir em conforto e sustentabilidade, sem abrir mão de soluções adaptadas ao clima quente e úmido de Barra do Bugres.
Localização e contexto climático
O projeto ocupa um lote de esquina em Barra do Bugres, com cerca de 315 m² e acesso fácil pelas vias do entorno. A proposta nasceu de uma demanda real: dar aos professores e educadores da UNEMAT-MT que se deslocam até o campus um lugar de passagem, uma casa pensada não para moradia permanente, mas para receber bem quem vai ficar por pouco tempo.
O clima foi o ponto de partida de quase todas as decisões do projeto. Barra do Bugres tem clima quente e úmido, com temperaturas altas na maior parte do ano, o que significa que uma casa confortável ali não pode depender só de ar-condicionado: ela precisa respirar sozinha, com ventilação cruzada e sombreamento bem posicionados desde a concepção.
Conceito
Em vez de partir direto para o concreto e o tijolo cerâmico, padrão automático da construção em Barra do Bugres, cada elemento da Casa Educare, parede, piso, cobertura, foi escolhido a partir de critérios pouco comuns na região: impacto ambiental, disponibilidade local e desempenho térmico.
Chamar o resultado de "rústico" seria simplificar demais a proposta. Rústico costuma sugerir improviso, e aqui é o oposto: cada material alternativo tem uma justificativa técnica por trás, com comparações reais de custo, conforto e execução frente às soluções convencionais do mercado.
Programa de necessidades
Área total construída de 68,74 m², distribuída em dois pavimentos.
Pavimento térreo
- Sala de estar e jantar integradas
- Cozinha
- Lavanderia
- Varanda inferior
Pavimento superior
- 2 quartos
- 2 banheiros
- Varanda superior
- Mezanino aberto sobre a sala de estar
Sistemas construtivos e materiais
A escolha dos materiais foi o centro deste trabalho: cada um resolve um problema específico do clima ou do impacto ambiental da construção.
Nas paredes, o tijolo ecológico de solo-cimento prensado dispensa a queima em forno (diferente do tijolo cerâmico comum) e reduz bastante o uso de argamassa no assentamento, o que barateia a obra e diminui o impacto ambiental já na execução.
Na cobertura, a telha ecológica de fibras vegetais (coco e sisal) com plástico reciclado resolve dois problemas ao mesmo tempo: isolamento térmico e destino para resíduos que normalmente iriam para o lixo. Nos testes, a redução chegou a 8°C na temperatura interna, na comparação com telhas convencionais.
O piso é em bambu laminado, renovável e de baixa manutenção, alternativa direta à madeira tradicional. Os detalhes internos usam WPC (Wood Plastic Composite), compósito de madeira e plástico reciclado com boa resistência à umidade.
O elemento mais autoral do projeto é o revestimento das paredes: uma massa desenvolvida a partir de resíduo de erva de tereré. A erva usada no preparo da bebida é seca, triturada e misturada com cal e terra fina, o que gera um revestimento de textura orgânica e tom esverdeado, aplicado tanto por dentro quanto por fora da casa. Não existe nada parecido pronto no mercado: foi testado e desenvolvido especificamente para este projeto, e amarra a casa à identidade cultural da região, já que o tereré é parte do cotidiano de Mato Grosso.
Estudo solar
Para verificar se as estratégias de sombreamento e ventilação realmente funcionam ao longo do ano, o projeto foi simulado em quatro situações de sol: nos dois horários mais críticos do dia (9h e 14h), tanto no solstício de inverno quanto no de verão de 2025. Simular os extremos do calendário solar serve para testar o pior cenário de cada estação, garantindo que o sombreamento funcione tanto quando o sol está mais baixo no céu (inverno) quanto quando está mais alto e mais forte (verão).
Comparação com o sistema construtivo convencional
Para validar as escolhas de material, o trabalho comparou o sistema alternativo com um sistema construtivo convencional, tomando como referência uma residência de 70 m² (175 m² de paredes e 87,5 m² de cobertura). Foram avaliados três indicadores: a massa total de material usada, a quantidade de resíduos gerados na construção e a energia incorporada em cada material, ou seja, quanta energia é gasta para produzi-lo e transportá-lo até a obra.


